Desejo Espontâneo X Desejo Responsivo!

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Estudos dizem: homens e mulheres possuem as mesmas “necessidades” sexuais do ponto de vista fisiológico, embora respondam de maneira diferente a estas necessidades. Muitos casais, por não conhecerem o funcionamento sexual de si e do outro, acabam por se habituarem a deixar o sexo em segundo plano, ou pior, a vivê-lo de maneira automática e sem grandes prazeres dentro da relação. Quando homem e mulher têm consciência das diferentes respostas sexuais de ambos e procuram maneiras ADEQUADAS de obterem tais respostas, então, o sexo torna-se satisfatório para os dois, independentemente do tempo de relacionamento. Por isso, vamos entender quais os ingredientes que precisam estar presentes na relação para isto acontecer.

O ciclo da resposta sexual humana é constituído de três fases: desejo-excitação-orgasmo. Não irei discorrer aqui sobre os aspectos fisiológicos de cada fase. Vamos nos ater aos demais aspectos deste processo. Na verdade, vamos nos concentrar na primeira fase, a do desejo, já que as demais são bem semelhantes para homens e mulheres e, creio que todos aqui saibam o que nos acontece quando nos sentimos excitados ou quando atingimos o orgasmo durante o ATO sexual com ou sem acompanhante.

Por muito tempo acreditou-se que a excitação seria a primeira resposta dentro deste processo. No entanto, pesquisadores perceberam que, na realidade, a construção do ato sexual começa na formulação do desejo, fase inicial e primordial para o bom desenrolar das fases subsequentes. A excitação seria, pois, a resposta fisiológica. Já o desejo seria a resposta emocional e estimuladora da excitação. Neste início, aspectos particulares e subjetivos se mostram importantíssimos, diferindo para homens e mulheres, o que nos levou à crença de que homens sentem mais vontade de sexo que as mulheres, formulando-se assim uma falsa diferença de gênero. Atualmente, estudos acerca da sexualidade humana fizeram cair por terra tal crendice e demonstraram que questões relacionadas à cultura e educação são as principais responsáveis por tais diferenças (no link que mandarei após este material, vocês encontrarão um texto explicativo do porquê essa diferença não pode ser considerada real).

Mas, fica a pergunta: por que, então, homens PARECEM estar sempre dispostos ao sexo e as mulheres não? E a resposta está na maneira como elas aprendem a lidar com o DESEJO. Homens são estimulados desde muito cedo a entrarem em contato com a sua sexualidade e, assim, acabam alimentando o desejo constantemente, até mesmo de forma inconsciente (inclusive, a própria anatomia já os privilegia neste sentido. A todo instante, homens têm a oportunidade de se tocarem – ao fazerem xixi, por exemplo). Já as mulheres são levadas a reprimir o desejo ou pouco prestarem atenção a sua presença, o que as tornam mais susceptíveis a sofrerem influências externas. Portanto, homens não têm mais libido que as mulheres. Eles, apenas, estão mais conectados diariamente com essa energia chamada libido, ou seja, se não houver problemas fisiológicos, como alterações hormonais e/ou psicológicos, desde abusos até repressões, o ponto de partida do interesse sexual é o mesmo em ambos os gêneros. Porém, em razão de aspectos sociais e culturais, a expressão do desejo nem sempre acontece da mesma forma.

Assim sendo, chegou-se a seguinte conclusão: O desejo sexual masculino não costuma sofrer alterações significativas, mesmo nas relações mais longas. Já a maioria das mulheres tende a perder o DESEJO ESPONTÂNEO em relacionamentos estáveis. Para nós, esse tipo de desejo (que é aquele que surge sem estímulo aparente), é maior em três situações: no início de relacionamentos (quando geralmente sentimos e percebemos não só o interesse sexual do parceiro, mas também nossa importância para ele), no momento posterior a uma briga (ao fazer as pazes, já que nessas horas nos colocamos de maneira integral à disposição do parceiro, ou seja, estamos internamente disposta a acabar com o motivo da briga e, assim, favorecemos inconscientemente o surgimento do desejo) e em determinados períodos do ciclo menstrual (geralmente, durante o período fértil). Isso significa então que, muitas vezes, não existe uma disfunção sexual propriamente dita instalada, mas um desejo hipoativo por falta de uma boa comunicação com o nosso próprio corpo, por exemplo.

Portanto, é preciso que TODOS os envolvidos reconheçam esta diferença para assim poderem manejar o desejo dentro da relação de maneira mais satisfatória. Homens precisam entender que as mulheres NECESSITAM de conexão para se sentirem mais propensas ao sexo. E mulheres precisam SABER que o nosso desejo é muito mais RESPONSIVO que o deles, já que eles conseguem manter a espontaneidade do mesmo ao longo do tempo e nós não! Vamos entender o que significa este termo.

Diferentemente do desejo espontâneo, o desejo responsivo é aquele que surge a partir de estímulos sexuais adequados (internos e/ou externos). Ou seja, se nos trabalharmos para estarmos ABERTAS a desejar, mesmo quando não nos sentirmos predispostas ao sexo (como eles) podemos fazer “brotar” a vontade independente desta inércia inicial. Veja a diferença: se eu não estou com vontade e NEM ME COLOCO INTERNAMENTE À DISPOSIÇÃO PARA ESTAR, mesmo que eu me permita praticar o sexo, muito provavelmente minha excitação será mínima ou inexistente, fazendo com que o prazer seja apenas uma resposta puramente fisiológica (homens fazem muito isso!), nos deixando com a terrível sensação de que nos forçamos a algo pelo qual não tínhamos interesse. Por outro lado, se me disponho a prestar mais atenção ao meu desejo DIARIAMENTE, entendendo O QUE e COMO despertá-lo em mim, eu posso iniciar uma relação sexual com pouca ou até nenhuma vontade, mas sentir tanto tesão quanto se ele já estivesse presente desde o início. Quer ver só uma prova dessa desatenção? Responda aí, você MULHER: quantas vezes você PENSA em sexo por dia? Se esta pergunta fosse feita aos homens, a maioria responderia algumas ou muitas vezes. Já a maioria das mulheres costuma responder poucas ou nenhuma vez ao dia. ISSO É ESTAR DESATENTA, DESCONECTADA COM O SEU DESEJO! Dica para mulherada, então é: PENSE MAIS EM SEXO NO SEU DIA-A-DIA! (rs). Mas, esse é só um lado da moeda. Uma fatia do bolo, apenas.

Daí, você pode estar se perguntando: isso vai resolver o problema quando ele quiser e eu não? Eu diria que, em parte, SIM. Pois, mudando a sua forma de pensar o sexo e de lidar com o seu desejo, você estará mais apta (ou mais propensa) a provocá-lo. No entanto, não basta estarmos abertas. Eles também precisam se comportar com mais afetividade já que, para nós, este é um dos maiores e melhores ingredientes para o tesão! Transar por transar (dentro de um relacionamento de longo prazo) muito dificilmente fará parte da vida sexual de uma mulher, por mais que ela goste de sexo, pois ao longo da história da humanidade, modificamos nosso código cerebral com tantas repressões impostas a nossa libido. Resultado disso? Precisamos SENTIR o desejo do outro e não apenas reconhecer uma vontade fisiológica desse outro para nos motivarmos ao sexo.

E o que isto significa na prática? Que muitos fatores estão envolvidos neste processo. Se o casal tem uma relação mais de amizade e esquece de se estimular eroticamente, o sexo muito provavelmente será mecânico. E o erotismo para as mulheres envolve também o afeto, a atenção, o cuidado, enfim, envolve A RELAÇÃO COMO UM TODO. Portanto, se você homem só se lembra de “buscar” sua companheira no momento do sexo, ela realmente não fará muita questão de se implicar neste ato. Sendo assim, dica para a “homarada”: Quer uma mulher que esteja sempre predisposta a transar? CUIDE DE SUA RELAÇÃO no seu dia-a-dia, pois se você pensa que mudar de parceira é a solução, está completamente enganado. Uma mulher que você acabou de conhecer e que esteja envolta com o sentimento da paixão, logicamente estará muito mais propensa ao sexo do que aquela que já conhece TODOS os seus defeitos. Mas, essa mesma mulher apaixonada, com o tempo, precisará dos mesmos ingredientes que a SUA mulher hoje precisa para se sentir desejante com mais frequência. Então, de nada adianta você mudar de mulher, pois com o tempo estará estagnado no mesmo lugar. Até as mais “fogosas”, quando se relacionam por longos períodos, acabam se deixando influenciar pelos mesmos fatores que elenquei anteriormente. Quando a paixão se vai, TUDO ao seu redor atinge a sua libido (vida financeira, preocupações com os filhos, cansaço físico, etc.) e quanto mais você se mostrar desconectado afetivamente dela, menos tesão ela irá sentir por você, por mais que o ame.

Isto posto, entendam: mulheres têm que SE CONHECER, apropriar-se de sua sexualidade tanto quanto os homens o têm feito ao longo da história, para descobrirem maneiras de PROVOCAR o seu desejo no seu dia-a-dia (desejo responsivo). Já homens, têm que ENTENDER que nem só de tesão físico vive a relação. O tesão emocional é, para elas, muito mais eficaz e duradouro.

Em nossos próximos encontros textuais, falaremos sobre as diferentes ferramentas que podem facilitar as relações sexuais dentro dos relacionamentos de longo prazo, como fantasias sexuais, masturbação e… CHEGA. Prefiro deixá-los com o gostinho da curiosidade para que NOSSA “relação” também não caia na tão temida MONOTONIA!

Boa reflexão a todos

MC

PS: Vale lembrar que todas as reflexões e informações partem do pressuposto que não existem problemas físicos (hormonais, por exemplo) ou emocionais subjacentes (como depressão, dentre outros).

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O texto acima faz parte de uma coletânea de textos escritos por mim, com embasamento em estudos científicos e em minha experiência clínica, intitulada de “Monotonia Sexual nas Relações Duradouras”. São reflexões acerca da nossa sexualidade e sobre temáticas que influenciam direta ou indiretamente a satisfação ou não satisfação sexual dos casais de longo prazo.

As pessoas que recebem este conteúdo fazem parte de uma lista de transmissão do whatsappp, onde envio quinzenalmente material a respeito deste assunto. Para saber como fazer parte desta lista, e assim passar a receber este conteúdo GRATUITAMENTE, visite o instagram @psicologa.conversa, onde é feita toda a divulgação deste trabalho.

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