Texto 9 – Sexo na gravidez (2018)

Huuumm…

Esse assunto é bem divergente, mas algo é universal e precisa que homens e mulheres saibam: sexo na gravidez é completamente normal e benéfico! No entanto, como já sabemos que a nossa sexualidade envolve uma série de fatores, neste caso não haveria de ser diferente. Cada grávida e cada grávido viverá esse momento de uma maneira beeeeem particular. A forma como iremos reagir sexualmente durante este período, será diretamente influenciada pelo que nós pensamos sobre o assunto previamente. Ou seja, ela será influenciada pelas REPRESENTAÇÕES SOCIAIS da sexualidade durante a gravidez, bem como por fatores psicológicos, emocionais e relacionais. Claro que também envolve a questão fisiológica e a saúde gestacional da futura mamãe. Aqui, falaremos apenas de aspectos ligados ao psicológico e aos aprendizados sociais acerca do tema, ok? Portanto, considerem que falo a respeito de uma gestação sem intercorrências médicas.

Pois bem…

Em primeiro lugar, o casal precisa estar ciente de todas as modificações comportamentais e fisiológicas que vão ocorrer durante toda a gestação, para que possam dialogar e manejar tais modificações sem grandes conflitos e sem sequelas para o relacionamento em si do casal. Sim, pois alguns casais modificam tanto a sua forma de se relacionar sexualmente durante este período que podem permanecer em um estado de “apatia” sexual mesmo após o final da gravidez. Principalmente, porque logo em seguida vivenciarão novas modificações com a chegada do bebê. Entender que TUDO é momentâneo e poder falar sobre isto com naturalidade será aquilo que os protegerão de possíveis “crises” sexuais em um momento futuro. Então vamos lá…

Inicialmente, quero falar sobre as “fantasias” que acompanham o casal no decorrer da gestação. Frequentemente existe a crença por parte dos homens de que a relação sexual poderá prejudicar de alguma forma o bebê. Fato que ocorre, geralmente, entre o segundo e o terceiro trimestre da gravidez. Esta crença poderá inibir a libido do homem, o que poderá ser sentido e percebido pela mulher como um sinal de que o mesmo não a deseja mais.

Outra fantasia bastante presente diz respeito a uma certa “santificação” da maternidade e que poderá levar o casal a se eximir de terem relações sexuais.

Então, vejam… se eu ou meu companheiro tivermos qualquer “ideia” de que sexo e gravidez não combinam, sejam elas fundamentadas no medo de ferir o bebê ou de que durante este período a mulher fica em um “estado de graça” e, por isso, não deverá ser tocada, muito provavelmente o nosso interesse em sexo tenderá a diminuir. Sendo assim, é importante que cada casal converse sobre suas fantasias e encontrem um caminho para lidar com elas sem afetarem a sua vida sexual. Eu dei aqui apenas dois exemplos, mas existem vários pensamentos que permeiam as cabeças dos diferentes casais. Identifique-as e as compreenda.

E por falar em diminuição da libido, é importante frisar que as alterações hormonais também irão se manifestar na sexualidade do casal. Há mulheres que intensificam o desejo durante a gravidez, enquanto outras tornam-se mais apáticas. E mais… quando o homem participa efetivamente da gestação, acompanhando sua esposa em todos os momentos, ele também poderá “sofrer” com essas alterações!  Inclusive, ganho de peso e até mesmo náuseas são comumente relatadas por pais que vivenciam de forma direta a gravidez da esposa. Tal fato é conhecido como “Síndrome de Couvade”. Não se trata de uma doença, apenas uma expressão mais intensa da paternidade, onde o futuro papai exprime psicologicamente a gravidez da companheira, apresentando sensações semelhantes. Esta síndrome é mais frequente em homens que têm um desejo muito forte de serem pais, que estão emocionalmente muito ligados à companheira grávida, ou quando a gravidez for de risco. Sendo assim, com o desejo também poderá acontecer oscilações por parte do homem, levando o casal a uma frequência menor de relações sexuais durante este período.

Um estudo realizado acerca da sexualidade de 200 casais grávidos, demonstrou que 27% relataram diminuição do desejo a partir do primeiro trimestre de gravidez, 43% a partir do segundo trimestre e 79% nos últimos três meses. Mas, ainda há um número reduzido de casais que apresenta PERDA TOTAL do desejo entre o último trimestre e os primeiros momentos após o nascimento do bebê. Desta forma, esse declínio pode ser considerado completamente natural. No entanto, não necessariamente. Alguns casais, ao contrário, poderão descobrir novas formas de satisfação durante a gravidez. Formas que, por vezes, se estendem após o nascimento do bebê! Como podem verificar, tudo poderá ser resolvido através do diálogo, da sintonia, e de ACORDOS entre cada casal! As informações servem tão somente como demonstrativo de que, de um jeito ou de outro, com, sem ou nenhum desejo, cada casal deve encontrar a melhor maneira de fazer a travessia deste momento tão delicado e cheio de fantasias e modificações. Entender e aceitar o momento que se vive, colabora para a manutenção da nossa saúde emocional e, neste caso, sexual.

Outro fator influenciador do desejo sexual dos casais grávidos e que não dá para passar desapercebido, diz respeito as modificações corporais da mulher ocorridas durante a gestação. Para alguns homens, o corpo da mulher grávida será percebido como extremamente sensual e atraente, tendo em vista que este representa a “prova” viva de sua virilidade. Para outros, porém, poderá haver uma certa “rejeição” a este novo formato o que levará novamente a diminuição do desejo masculino. Com a mulher o mesmo acontece. Algumas mulheres se sentirão incrivelmente bem em seu novo corpo, sentindo-se “sex” para o seu companheiro, enquanto outras tenderão a “esconder-se” podendo vivenciar sentimentos ambíguos com relação ao próprio corpo.

Como se pode notar, o desejo sexual varia muito durante a gravidez tanto para homens quanto para as mulheres, podendo de manifestar de forma diferente, inclusive numa mesma mulher (ou casal) em diferentes gestações. O que precisa ser reafirmado e conscientizado é que cada casal atravessará de maneira muito peculiar a transição para a paternidade/maternidade. O diálogo aberto e a compreensão recíproca, geralmente, serão suficientes para manter-se um relacionamento sexual saudável e equilibrado, mesmo em sua falta!

Numa próxima ocasião, falaremos de como fica a sexualidade do casal com filhos pequenos!

Boa reflexão a todos

MC

 

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