Cama compartilhada? SOU CONTRA, sim.

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Este tema é bastante complexo e controverso. De antemão deixo claro que respeito a leigos e profissionais que têm um posicionamento diferente do meu. No entanto, realmente, preocupa-me essa nova corrente de pensamento que está a se consolidar nos dias atuais: a chamada “criação com apego”! Também quero enfatizar que não pretendo com esta postagem determinar o que é certo ou errado. Não me cabe este papel. Apenas, exponho o MEU entendimento baseado no que a minha experiência clínica e pessoal me oferecem, pois tenho 3 filhos e posso falar com propriedade sobre ELES! Inclusive, sobre os meus erros cometidos. No entanto, há que se dizer ainda que existem diversas teorias sobre o comportamento e desenvolvimento humano. Muitas delas contraditórias umas às outras. Ainda assim, todas são válidas já que nos oferecem diversos caminhos para reflexão.Pois bem…

Creio que essa nova tendência de pensamento seja uma consequência de uma geração de pais que teme justamente se posicionar diante das limitações que precisam impor a um filho. Claro que tenho conhecimento de estudos que “atestam” os benefícios desse tipo de educação deliberadamente “acomodada”. Ainda assim, é preciso cautela, muita cautela, ao nos basearmos em novas teorias sobre o desenvolvimento humano. E, claro, muito mais estudos. Enquanto isso, cada profissional deve usar o seu senso crítico para avaliar tais teorias. E todos têm o direito de serem contra ou a favor. EU SOU CONTRA!

Quer dizer que a criança PRECISA desse contato físico e quase PERMANENTE para sentir-se segura no mundo? É algo “natural” e por isso deve ser atendido indiscriminadamente para crescer emocionalmente saudável? E o que dizer, então, da necessidade de aprender a ter auto-confiança, a suportar frustrações, a respeitar o espaço alheio e tantas outras necessidades que dependem do NOSSO comportamento enquanto pais e educadores?

Claro que é muito mais fácil e cômodo manter um filho em nossa cama até que ele resolva sair pela própria vontade. É muito mais fácil e cômodo fazê-lo parar de chorar quase que instantaneamente, seja dando-lhes o peito, embora que não tenha fome (é a tal “sucção não-nutritiva) ou outro “objeto” qualquer. É muito mais fácil e cômodo não me sentir culpada por ocupar o papel do limite, evitando assim sentir-me carrasca da minha própria cria. Claro que esse tipo de educação trás mais conforto e paz para pais inseguros e pouco certos do seu papel.

A chegada de um bebê requer um malabarismo danado dos pais. É um gasto gigantesco de energia e levar o bebê para o nosso quarto pode ser uma mão na roda, SIM. Não sou contra isso, pois considero radicalismo a crítica a quem o faz, nesse momento inicial, por uma questão de logística e por um tempo determinado. Sou contra, SIM, os exageros! Uma/um mãe/pai que não “DEIXA” seu filho crescer, não pode dizer que está cumprindo o seu papel. E, ao meu ver, é isto que se esconde por trás desta prática. Uma INSEGURANÇA PARENTAL que, me desculpe dizer, provavelmente esconde carências “infantis”. Fora isso, no mínimo é ACOMODAÇÃO, sim! É por pura preguiça que muitos pais deixam seus filhos em suas camas. Eu mesma cometi esse erro no terceiro filho. Era mais fácil deixa-lo em minha cama. Resultado? Dentre outras coisas, uma dificuldade ENORME para desfazer este erro! Mas, não é por isso que irei buscar justificativas em teorias infundadas, apenas para me sentir melhor. Sei q errei! Ou seja, quer fazer faça. Você tem todo direito. Só não me venha com esse blablabla de que “é para a criança desenvolver-se melhor”!

A cama dos pais NÃO é o melhor do mundo para uma criança! Este é um grande engano. A cama dos pais pode ser, na verdade, uma grande armadilha. Assim como a prontidão desmedida defendida por tais correntes (e, diga-se de passagem, que em nada têm a ver com a Teoria do Apego em si, criada pelo psicanalista John Bowlby. Há várias deturpações sendo usadas como justificativas para esse tipo de prática).

Claro que a hora do sono é extremamente importante para que uma criança cresça saudavelmente. Ela precisa sentir-se segura nesse instante. Mas, quem disse que para isso é preciso que ela esteja em nossa cama? O problema é que oferecer esta segurança de uma forma mais racionalizada e sistemática dá um puta de um trabalhão. E a maioria dos pais da atualidade não têm esta disponibilidade interna. Educar dá trabalho. E se você não o tem, pode ter certeza de que algo está errado neste processo!

Vamos continuar pensando sobre este tema. O espaço não me permite fazê-lo de maneira única. Há várias implicações nesta prática que precisam ser melhor compreendidas para serem escolhidas com mais discernimento por nós, PAIS. E, para tal, precisamos “ouvir” também o que não nos agrada. Só assim, nos posicionaremos com mais consciência perante as escolhas que fazemos.
Boa reflexão a todos
MC

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