Será que a cama compartilhada é tão boa assim?

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Sinceramente, não entendo as “teorias” recentes que incentivam a co-dependência entre pais e filhos. Que me perdoem os novos “cientistas” do comportamento e da neurociência que apelam a todo instante pela naturalização de tudo. Tem que ser parto normal porque é natural. Tem que dar o peito até a criança enjoar dele (mesmo que já tenha 4 anos de idade) porque é natural. Agora, tem que dormir com os pais enquanto for o seu desejo porque é natural?

Pergunto-me: será mesmo este o caminho para o bom desenvolvimento dos nossos filhos? Sim, somos animais como o canguru (comparação que já vi profissionais a usar para justificar a simbiose que estimulam entre crianças e seus cuidadores), mas parece que estão esquecendo que somos os únicos animais RACIONAIS E CONSCIENTES do que somos. Portanto, essa lenga-lenga de que tudo deve ser aceito porque é natural, instintivo e compreendido como parte do processo de desenvolvimento humano, porque a criança NECESSITA dessa aproximação e prontidão dos pais para não se sentir abandonada ou insegura, me perdoem, não me convence!

Pois bem…

Por que crianças devem aprender a dormir em seus quartos o mais breve possível?

1. Vou começar por uma questão pouco difundida. Sua cama é seu lugar de intimidade e mesmo que você não tenha um parceiro, a sua energia ÍNTIMA se encontra por lá e a criança CAPTA essa energia. E, pensando no casal, esse lugar de intimidade acaba sofrendo prejuízos, SIM. Sem contar que muitos deles se “arriscam” nas relações sexuais certos que não serão pegos, e enquanto isso muitas crianças são invadidas psiquicamente, pois de um jeito ou de outro o seu cérebro, que não para enquanto elas dormem, capta sons, cheiros e movimentos ainda que estejam dormindo. Preciso desenhar para você entender melhor? Não, né?

2. Seguindo essa mesma linha de raciocínio, nosso inconsciente ultrapassa tempo e espaço e, logicamente, um inconsciente de um adulto está muito mais recheado de conflitos e perturbações que o inconsciente de uma criança. Isto, por si só, já influencia a estruturação psíquica da criança. Imagina, então, o que acontece no momento do sono, onde nosso ser consciente encontra-se adormecido e totalmente vulnerável diante de uma aproximação física com os pais (adultos), constante e DESNECESSÁRIA. Sim, é desnecessária, por mais que as novas teorias, mesmo que baseadas em estudos da neurociência (na verdade, DIRECIONAM os resultados dos estudos interpretando-os como querem), defendam o contrário, manter uma criança em nosso quarto por anos a fio prejudica o seu desenvolvimento emocional, tornando-a dependente dessa presença física para se sentir segura.

3. Durante a formação psíquica da criança, ela necessita receber NA MEDIDA CERTA amor e limites. A superproteção gera crianças dependentes e inseguras, que sempre precisarão de alguém que as complete. Elas poderão se tornar adultos fixados a uma fase infantil onde receberam EXCESSO de proteção camuflado de “aconchego”. Amar nossos filhos não nos impede de vivermos nossa individualidade. Não preciso fundir-me ao meu filho para protegê-lo. Posso oferecer afeto o quanto quiser, pois afeto é fala, é abraço, é olhar, é ensinamento, é proteção, é brincadeira, é LIMITE, enfim, as possibilidades são inúmeras e não estão restritas a uma cama compartilhada que mais limita a criança do que a desenvolve.

Bom, como eu disse lá no início da nossa conversa (em postagem anterior), ESTE é o meu posicionamento. Logicamente, cada família deve agir de acordo com suas condições e entendimento. E NINGUÉM TEM NADA A VER COM ISSO! No entanto, como profissional que leva informações e reflexões à população, sinto-me no dever de oferecer outro ponto de vista para que você possa AO MENOS questionar o que esse novo “mercado” oferece em termos de conhecimento PRÁTICO.

Construir “teorias” não é assim tão difícil. Comprová-las, sim. Não há como negar estudos e teorias consolidadas ao LONGO DO TEMPO. Há 20 anos vejo no consultório o resultado de relações parentais mal resolvidas, o resultado de educação baseada na dependência, na permissividade e em todas as práticas não consistentes quando dizem respeito ao papel dos pais. Preocupa-me o futuro dessa geração de crianças educadas como “canguru” e vistas como tão indefesas e incapazes que precisam completar seu desenvolvimento gestacional fora do útero para poderem crescer devidamente. Não entendo teorias que prezam tanto pelo natural não perceberem que se a própria natureza nos deu 9 meses dentro do útero de uma mãe que NÃO possui bolsa externa, e sim uma placenta em seu lugar, é porque dali em diante mãe e filho PRECISAM aprender a ser dois, e não mais um só.

Boa reflexão a todos
MC

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